Enquanto Vitória e Manaus acumulam altas superiores a 8% no ano, São Paulo avança apenas 1,7% e Porto Alegre registra queda; levantamento mostra um mercado imobiliário com velocidades muito diferentes pelo Brasil
O preço dos imóveis residenciais continua avançando em 2026, mas olhar apenas para a média nacional esconde uma diferença importante: enquanto algumas capitais registram valorizações expressivas, outras praticamente não saíram do lugar nos primeiros sete meses do ano.
Dados do Índice FipeZAP de Venda Residencial mostram que Vitória lidera a valorização entre as 22 capitais acompanhadas pelo levantamento, acumulando alta de 8,82% entre janeiro e julho. Manaus aparece logo atrás, com avanço de 8,43%, enquanto Aracaju completa o grupo das três primeiras, com valorização de 7%.
O cenário é bastante diferente nas maiores cidades do país. No mesmo período, os preços anunciados subiram 2,76% no Rio de Janeiro e apenas 1,70% em São Paulo. Curitiba acumulou avanço de somente 0,32% e Belo Horizonte ficou praticamente estável, com 0,09%. Porto Alegre foi a única capital do levantamento com resultado negativo no ano, de -0,43%.
Os números ajudam a mostrar que falar em “mercado imobiliário brasileiro” como se todo o país estivesse seguindo uma única direção pode ser cada vez mais impreciso.
Considerando o acumulado de janeiro a julho, o ranking do FipeZAP ficou assim:
| Capital | Valorização em 2026 |
|---|---|
| Vitória | 8,82% |
| Manaus | 8,43% |
| Aracaju | 7,00% |
| Salvador | 6,73% |
| Florianópolis | 5,50% |
| Teresina | 5,43% |
| Natal | 5,30% |
| Fortaleza | 5,04% |
| Brasília | 4,54% |
| João Pessoa | 4,45% |
| Campo Grande | 4,35% |
| Belém | 4,20% |
| Recife | 4,13% |
| Goiânia | 3,99% |
| Maceió | 3,42% |
| Cuiabá | 3,26% |
| São Luís | 3,16% |
| Rio de Janeiro | 2,76% |
| São Paulo | 1,70% |
| Curitiba | 0,32% |
| Belo Horizonte | 0,09% |
| Porto Alegre | -0,43% |
A diferença entre as duas pontas é significativa. Enquanto um imóvel anunciado em Vitória acompanha uma valorização média próxima de 9% em apenas sete meses, Porto Alegre ainda apresenta preço médio inferior ao observado no começo do ano.
Também chama a atenção a distribuição geográfica do ranking. Entre as dez capitais que mais valorizaram estão cidades do Sudeste, Norte, Nordeste, Sul e Centro-Oeste, mostrando que a alta não está concentrada em apenas uma região.
A liderança de Vitória não se resume à valorização.
Em julho, a capital capixaba registrou nova alta nos preços e alcançou aproximadamente R$ 15.448 por metro quadrado, passando a ocupar o topo do ranking de preços entre as capitais acompanhadas.
Na prática, considerando apenas esse preço médio anunciado, um apartamento de 70 m² alcançaria um valor próximo de R$ 1,08 milhão.
É uma mudança relevante no mapa dos imóveis mais caros do Brasil, historicamente associado a grandes mercados como São Paulo e Rio de Janeiro.
Manaus apresenta talvez um dos movimentos mais interessantes de 2026.A capital amazonense acumulou valorização de 8,43% até julho, muito próxima dos 8,82% registrados por Vitória. Apesar disso, o preço dos imóveis ainda está entre os menores das capitais pesquisadas.
Ao final de junho, por exemplo, o preço médio anunciado em Manaus era de R$ 7.745/m², abaixo da média geral do Índice FipeZAP naquele momento, de R$ 9.853/m².O caso ajuda a separar dois conceitos que frequentemente são confundidos: uma cidade pode estar valorizando rapidamente e ainda continuar relativamente barata quando comparada aos mercados mais caros do país.
Salvador ocupa a quarta posição no acumulado de 2026, com valorização de 6,73%.O movimento da capital baiana já vinha aparecendo nos levantamentos anteriores. Em maio, Salvador acumulava alta de 5,13% no ano e apresentava valorização de 12,52% em 12 meses.
A continuidade desse avanço colocou a cidade entre os mercados que merecem atenção de compradores, investidores, incorporadores e corretores de imóveis ao longo de 2026.
O comportamento de São Paulo ajuda a mostrar como o tamanho de um mercado não necessariamente significa maior valorização.
Em julho, o preço médio anunciado na capital paulista chegou a aproximadamente R$ 12.099/m². Apesar do patamar elevado, a valorização acumulada desde janeiro foi de apenas 1,70%.
Nos últimos 12 meses, o avanço ficou em 3,70%.
Assim, São Paulo continua entre os mercados residenciais mais caros do país, mas em 2026 está longe de apresentar o mesmo ritmo de aumento observado em Vitória, Manaus, Aracaju ou Salvador.
Na parte de baixo do ranking aparecem resultados bem diferentes daqueles observados nas capitais que lideram 2026.
Curitiba acumulou valorização de apenas 0,32% até julho. Em Belo Horizonte, o avanço foi ainda menor: 0,09%.
Porto Alegre apresentou o resultado mais fraco entre as 22 capitais monitoradas, com queda acumulada de 0,43%.
Isso não significa necessariamente que imóveis específicos dessas cidades tenham perdido valor. O FipeZAP acompanha preços anunciados e os resultados representam o comportamento médio das amostras analisadas pelo índice.
Outra transformação que merece atenção em 2026 está relacionada à tipologia dos imóveis.
Os apartamentos de um dormitório vêm apresentando desempenho superior à média. No levantamento referente a maio, essas unidades acumulavam valorização de 7,35% em 12 meses e tinham preço médio de R$ 11.987/m², o maior entre as tipologias analisadas.
Já os apartamentos de dois dormitórios apresentavam o menor preço médio naquele levantamento, de R$ 8.813/m².
O movimento reforça uma tendência que já vem sendo observada nas grandes cidades: unidades compactas, principalmente em regiões com infraestrutura, serviços e transporte, ganharam importância tanto para moradia quanto para investidores interessados em locação.
O retrato dos primeiros sete meses do ano mostra um mercado bastante desigual.
Enquanto Vitória acumula alta próxima de 9%, São Paulo não chega a 2%. Ao mesmo tempo, cidades tradicionalmente mais acessíveis, como Manaus e Aracaju, aparecem entre as maiores valorizações do país.
Essa diferença é importante principalmente para quem trabalha diretamente com o mercado. Para o corretor de imóveis, conhecer o comportamento local dos preços tornou-se ainda mais relevante na hora de orientar proprietários, compradores e investidores.
Também é preciso considerar uma característica importante do indicador: o Índice FipeZAP é calculado pela Fipe a partir de amostras de anúncios de imóveis publicados nos portais do Grupo OLX e acompanha apartamentos prontos em até 56 cidades, entre elas 22 capitais. Portanto, os valores refletem preços anunciados, e não necessariamente os valores finais pelos quais os imóveis foram efetivamente negociados.
Os dados de 2026 deixam uma mensagem clara: o imóvel continua sendo um mercado essencialmente local. A média brasileira pode indicar uma direção, mas é quando se observa cada cidade separadamente que aparecem as maiores diferenças e, possivelmente, as maiores oportunidades.
FONTE: https://publicidadeimobiliaria.com/preco-dos-imoveis-disparam-em-algumas-capitais-em-2026/