Como pagar menos juros

Como pagar menos juros e quitar mais rápido seu financiamento imobiliário.

Financiar um imóvel é, para muita gente, o maior compromisso financeiro da vida. Junto com o sonho da casa própria, surgem diversas dúvidas: quanto dar de entrada? Qual prazo escolher? SAC ou Price? Vale a pena amortizar? É melhor diminuir a parcela ou o prazo? E o que fazer com o FGTS?

E tem uma pergunta que muita gente faz: será que existe uma estratégia para pagar menos juros e quitar o financiamento muito antes do prazo contratado?

O que ninguém te conta quando vai financiar o primeiro imóvel?

Sair do aluguel e comprar a casa própria é uma das decisões mais importantes na vida. Por isso,o investimento em um imóvel deve ser analisado com cautela, considerando uma série de detalhes estratégicos.

A aprovação do crédito imobiliário começa muito antes da escolha do banco para financiar o seu imóvel? 

É muito comum as pessoas escolherem o imóvel primeiro para só depois se preocuparem com a aprovação do crédito, mas essa nem sempre é a ordem ideal. Imagine só: após escolher o imóvel, você começa a sonhar e planejar a decoração de cada cômodo. Mas, ao dar entrada na solicitação do financiamento, o crédito não é aprovado. O resultado é frustração, decepção e, muitas vezes, a desistência da compra.

De acordo com o especialista, a preparação financeira deve vir antes. 

"Quando o cliente para para pensar nisso, seja na aquisição imediata ou em um planejamento de longo prazo, a ideia é que ele consiga ter uma organização mensal que permita não só criar uma reserva de emergência, mas também pagar as parcelas com tranquilidade."


Qual é o momento ideal para buscar a aprovação do financiamento?

O primeiro passo ideal é buscar a aprovação do crédito imobiliário para, só então, escolher o imóvel com base no orçamento real.

O planejamento, sem dúvida, é a chave para financiar com tranquilidade e aproveitar as melhores oportunidades. 

"Eu diria que esse é realmente o melhor caminho, porque o cliente não só adquire o imóvel com calma, como também consegue aproveitar uma oportunidade melhor de localização ou até escolher um imóvel maior e mais apropriado para a sua família."

 

Custos envolvidos no financiamento imobiliário

Além das parcelas mensais, o planejamento para a compra da casa própria exige atenção aos custos adicionais de contratação e transferência do imóvel.

Para a compra, o cliente pode financiar até 80% do valor do imóvel, devendo dispor de 20% de entrada (montante que pode ser complementado ou quitado com o uso do FGTS). No entanto, os custos de documentação não param por aí:

  • ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis): na cidade de São Paulo, a alíquota equivale a 3% do valor do imóvel (ou valor venal de referência).
  • Registro de Imóvel e Escritura Cartorária: representa cerca de 1% do valor do bem. (Nota: Se for a primeira aquisição de imóvel residencial pelo Sistema Financeiro da Habitação - SFH, o comprador tem direito a um desconto de 50% nas taxas de cartório).

SAC ou Price: qual tabela escolher e como funciona a amortização?

Os bancos permitem financiar imóveis em prazos de até 30 ou 35 anos. Uma dúvida comum é se vale a pena assumir um contrato mais longo para garantir uma parcela menor e ir amortizando ao longo do tempo.

"Contratar em 35 anos e quitar em 15 é equivalente a contratar diretamente em 15 anos. Iniciar com um prazo maior garante uma parcela confortável no orçamento atual. Conforme a sua renda aumenta, você pode direcionar recursos para amortizar e reduzir drasticamente o prazo total."


Posso alterar o prazo contratado no banco?

Não é possível estender o prazo original de um financiamento já ativo (por exemplo, mudar de 15 para 30 anos no mesmo banco). A alteração no prazo só é permitida no sentido de redução via amortização. A única exceção para aumentar o prazo de um contrato em andamento é através da portabilidade de crédito para outra instituição financeira, sujeita a uma nova análise de renda.


Amortizar o prazo ou o valor da parcela: qual é melhor?

Matematicamente, a amortização reduz diretamente o saldo devedor, eliminando 100% dos juros e seguros incidentes sobre a quantia amortizada. A escolha entre amortizar prazo ou parcela depende da fase financeira do comprador:

  • Reduzir o valor da parcela: Ideal se o orçamento mensal estiver apertado e você precisar de mais folga no dia a dia.
  • Reduzir o prazo: A melhor opção a longo prazo. Quanto menor o tempo de contrato, menos juros acumulados você pagará ao banco.

"Seja reduzindo a parcela ou o prazo, o objetivo principal da amortização é atingido de imediato: retirar juros e seguros do montante quitado. No entanto, para quem busca economia máxima, focar na redução do prazo é sempre o caminho mais vantajoso", explica o especialista.

 

Simulação de financiamento imobiliário no Bradesco em 2026

Para entender na prática como funcionam as taxas de juros, a CrediPronto mostra duas simulações considerando:

Simulação 1 - Tabela Sac - Banco Bradesco

  • Valor do Imóvel: R$ 500.000,00
  • Valor Financiado: R$ 300.000,00
  • Prazo: 420 meses (35 anos)

 

Compra de Imóvel Usado em São Paulo de R$ 500 milTaxa de

Juros Efetiva 

a.a.Custo

Efetivo Total

a.a.1ª  ParcelaÚltima

ParcelaTotal do Financ.11,70% 12,50%R$

3.586,41R$753,39R$ 950.522,60

 Simulações realizadas em outubro de 2026


Simulação 2 - Tabela Price - Banco Bradesco

  • Valor do Imóvel: R$ 500.000,00
  • Valor Financiado: R$ 300.000,00
  • Prazo: 420 meses (35 anos)

Compra de Imóvel Usado em São Paulo de R$ 500 milTaxa de

Juros Efetiva 

a.a.Custo

Efetivo Total

a.a.1ª  ParcelaÚltima

ParcelaTotal do Financ.11,70% 12,50%R$

2.931,17R$ 2.885,12R$ 1.305.841,85

 Simulações realizadas em outubro de 2026

 

Fiz uma amortização, mas a parcela não diminuiu. Por quê?

Muitas pessoas estranham quando fazem uma amortização e a parcela sofre pequenas variações. Isso ocorre devido a atualizações contratuais periódicas, como:

  1. Correção pela TR (Taxa Referencial): reajusta mensalmente o saldo devedor.
  2. Reajuste do seguro MIP (Morte e Invalidez Permanente): atualizado na data de aniversário do comprador e recalculado conforme a faixa etária.

Por que na Tabela Price o saldo devedor parece não diminuir?

A diferença fundamental entre a Tabela SAC e a Tabela Price está na forma como o valor principal da dívida é abatido:

  • Tabela SAC (Sistema de Amortização Constante): a amortização do saldo devedor é fixa do início ao fim. Como o saldo cai mais rápido, os juros diminuem a cada mês e a parcela cai gradativamente.
  • Tabela Price: As parcelas começam mais baixas em comparação à SAC, mas a amortização da dívida nos primeiros anos é muito lenta. A maior parte da parcela inicial é voltada ao pagamento de juros, o que dá a sensação de que o saldo devedor estagnou.

Regras e estratégias para usar o FGTS no financiamento

O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) é um dos maiores aliados na compra do imóvel. Ele pode ser utilizado de três formas principais:

  1. Na entrada: para compor os 20% de recursos próprios necessários na contratação.
  2. Amortização a cada 2 anos: abater o saldo devedor ou reduzir o valor das parcelas a cada 24 meses.
  3. Abatimento de até 80% da parcela por 12 meses: ideal para momentos de aperto financeiro. O banco utiliza o saldo do FGTS para cobrir até 80% do valor da parcela mensal durante um ano, cabendo ao cliente pagar apenas os 20% restantes via boleto.

Requisitos básicos para usar o FGTS:

  • Tempo de carteira: ter no mínimo 36 meses (3 anos) de trabalho sob o regime do FGTS, somando períodos consecutivos ou não, em uma ou mais empresas.
  • Propriedade de imóveis: não ser proprietário de imóvel residencial concluído ou em construção no mesmo município onde mora ou trabalha (considerando também os municípios limítrofes).
  • Exceção para imóveis em outros estados: se você possui um imóvel registrado no seu nome em outro estado (fora da região limítrofe), você pode usar o FGTS para comprar um segundo imóvel, desde que o primeiro esteja totalmente quitado (sem financiamento ativo).

Uso da Carta de Consórcio no Financiamento Imobiliário

Uma dúvida recorrente é se é possível usar uma carta de consórcio para amortizar ou quitar o financiamento imobiliário.

A resposta é sim, desde que a carta de consórcio esteja contemplada e seja suficiente para quitar 100% do saldo devedor.

Uma prática comum no mercado é contratar o financiamento imobiliário com agilidade para garantir a compra do imóvel e, posteriormente, adquirir um consórcio. Quando contemplado, o consorciado utiliza a carta para quitar integralmente o financiamento bancário.

O que fazer quando não conseguir pagar as parcelas do financiamento?

Diante de instabilidades financeiras, a pior atitude é ignorar a dívida ou evitar o contato com a instituição financeira.

Como funciona a linha do tempo da inadimplência?

  • A partir de 7 dias de atraso: o banco envia a primeira notificação de cobrança.
  • A partir da 2ª parcela em atraso (30 a 60 dias): inclusão do nome nos órgãos de proteção ao crédito (Serasa/SPC) e notificações formais por correspondência e e-mail.
  • A partir da 3ª parcela em atraso (90 dias): notificação pública em cartório e publicação de editais de cobrança.
  • A partir de 120 dias de atraso (4ª parcela): O banco pode protocolar a consolidação da propriedade no Cartório de Imóveis, pagando o ITBI de retomada.

A partir do momento em que a consolidação da propriedade é averbada na matrícula em nome do banco, não há mais possibilidade de renegociação direta da dívida e o imóvel vai a leilão público. Por isso, a transparência e a busca por negociação prévia são fundamentais.

Como funciona o Seguro por Morte e Invalidez Permanente (MIP)?

Na contratação do financiamento imobiliário, a inclusão do seguro MIP (Morte e Invalidez Permanente) e do DFI (Danos Físicos ao Imóvel) é obrigatória por lei.

Em caso de falecimento do titular:

  • Composição de Renda: a quitação do contrato pelo seguro será proporcional à renda declarada na aprovação do crédito. Se o contrato foi assinado por duas pessoas, mas apenas uma compôs a renda formalmente (100%), a quitação só ocorrerá integralmente se a pessoa que veio a falecer for o titular da renda declarada.
  • Pagamento de parcelas durante a análise: enquanto o sinistro é analisado pela seguradora, as parcelas do financiamento devem continuar sendo pagas normalmente para evitar a inadimplência do contrato. Caso aprovado, eventuais valores pagos no período podem ser ressarcidos retroativamente.

Por exigência legal, o banco deve apresentar ao cliente pelo menos duas opções de seguradoras na simulação do financiamento para livre escolha do proponente.

Perguntas Frequentes sobre Financiamento Imobiliário

  1. Vale a pena dar uma entrada maior ou guardar o dinheiro para amortizar depois?

Dar uma entrada maior diminui o montante financiado logo no primeiro dia, reduzindo o cálculo dos juros desde a origem do contrato. No entanto, se ao dar uma entrada maior você ficar sem reserva de emergência, o mais prudente é manter uma quantia guardada para imprevistos e direcionar excedentes para amortizações futuras.

2. Posso usar o FGTS para quitar o financiamento imobiliário de outra pessoa?

Não. O FGTS só pode ser utilizado por quem figura oficialmente no contrato de financiamento como comprador e proponente de renda.

3. Qual a diferença entre portabilidade de financiamento e amortização?

A amortização é o ato de pagar um valor extra dentro do mesmo banco para abater o saldo devedor. A portabilidade é a transferência da sua dívida para outro banco que ofereça taxas de juros mais baixas ou melhores condições de pagamento.

4. O banco pode me obrigar a contratar o seguro habitacional da própria instituição?

Não. A legislação obriga a contratação dos seguros MIP e DFI, mas garante ao cliente o direito de escolher entre ao menos duas seguradoras apresentadas pelo banco no momento da contratação.

WhatsApp