Locação avança cinco vezes mais que venda de salas
comerciais no período, impulsionada por demanda por flexibilidade em cenário de
crédito restrito
O mercado de imóveis comerciais vive uma dinâmica diferente
entre quem compra e quem aluga. Enquanto os preços de venda avançaram 2,20% nos
últimos 12 meses, os valores de locação subiram 11,21% no mesmo período,
segundo o Índice FipeZAP Comercial de agosto de 2026.
O movimento mostra uma preferência maior das empresas pela
ocupação via aluguel, em um cenário de juros elevados e crédito mais restrito.
Enquanto a compra exige um investimento elevado e uma decisão de longo prazo, a
locação permite maior flexibilidade operacional.
“A aquisição de um imóvel exige alto volume de investimento
e planejamento de longo prazo. Em contrapartida, a locação exige menos recursos
imediatos e oferece maior flexibilidade operacional, fator estratégico para
empresas em estruturação ou expansão”, afirma Mariangela Silva, economista do
Grupo OLX.
O índice acompanha preços de salas e conjuntos comerciais de
até 200 metros quadrados em 10 cidades brasileiras.
Aluguel comercial sobe mais que venda em todos os períodos.
A diferença entre os dois mercados aparece em todos os
recortes analisados pelo FipeZAP.
Em agosto, os preços de locação comercial avançaram 1,01%,
enquanto os valores de venda subiram 0,40%.
No acumulado de 2026 até agosto, o aluguel comercial
registra alta de 8,50%, contra avanço de 1,86% nos preços de venda.
Nos últimos 12 meses, a diferença ficou ainda maior: a
locação subiu 11,21%, enquanto a venda avançou apenas 2,20%.
O desempenho ocorreu mesmo com os principais índices de
inflação em ritmo inferior. O IPCA acumulou alta de 4,22% em 12 meses, enquanto
o IGP-M avançou 2,16% no mesmo período.
Segundo Mariangela, o cenário de juros elevados ajuda a
explicar a diferença.
“Em um cenário macroeconômico de crédito restrito e juros
elevados, as empresas tendem a priorizar a preservação de caixa, migrando parte
da demanda da compra para o aluguel”, afirma.
Rio e Salvador lideram alta dos aluguéis comerciais
Entre as cidades monitoradas, o avanço da locação foi
disseminado.
No acumulado de 2026, todas as 10 regiões analisadas
apresentaram valorização nos aluguéis comerciais. Os maiores aumentos ocorreram
em:
-Salvador: +18,57%
-Rio de Janeiro: +15,35%
-Curitiba: +12,33%
-Brasília: +9,63%
No mês de agosto, Brasília teve a maior alta entre as
cidades monitoradas, com avanço de 5,36%, seguida por Salvador (2,48%) e
Niterói (1,60%).
São Paulo tem o aluguel comercial mais caro
Apesar das maiores altas recentes estarem concentradas em
outras cidades, São Paulo continua sendo o mercado com maior preço médio de
locação comercial.
Em agosto, o valor médio anunciado na capital paulista
chegou a R$ 62,34 por metro quadrado.
Os maiores preços de aluguel foram:
-São Paulo: R$ 62,34/m²
-Rio de Janeiro: R$ 57,51/m²
-Salvador: R$ 55,49/m²
Na outra ponta, os menores valores foram registrados em:
-Porto Alegre: R$ 34,70/m²
-Belo Horizonte: R$ 38,14/m²
Venda de imóveis comerciais sobe menos e Florianópolis
lidera valorização
O mercado de compra apresentou uma trajetória mais moderada.
Em agosto, os preços de venda subiram 0,40%, acelerando em
relação ao avanço de 0,18% registrado em julho.
No acumulado do ano, a alta chegou a 1,86%.
Entre as cidades analisadas, Florianópolis liderou a
valorização em 2026, com alta de 4,66%, seguida por Curitiba (3,61%) e Salvador
(3,25%).
Nos últimos 12 meses, Salvador teve a maior valorização dos
imóveis comerciais à venda, com alta de 7,39%, seguida por Florianópolis
(6,94%), Campinas (4,58%) e Curitiba (4,55%).
Porto Alegre foi a única cidade com queda no período, com
retração de 2,16%.
Retorno do aluguel comercial chega a 7,63% ao ano
A diferença entre o ritmo de aluguel e venda também aparece
na rentabilidade estimada dos imóveis comerciais.
O rental yield médio — indicador que mede o retorno anual do
aluguel em relação ao valor do imóvel — ficou em 7,63% ao ano em agosto.
O retorno médio supera o registrado no mercado residencial,
que ficou em 6,14% ao ano.
Os maiores retornos entre as cidades monitoradas foram:
-Salvador: 11,51% ao ano
-Campinas: 8,87% ao ano
Os menores retornos ficaram com:
-Curitiba: 6,19% ao ano
-Florianópolis: 6,59% ao ano
Para Mariangela, o avanço dos aluguéis aumenta o potencial
de geração de renda dos imóveis comerciais, mas o indicador precisa ser
analisado junto com outros fatores.
“O potencial investidor deve também considerar fatores como
despesas de manutenção e tributação, possibilidade de vacância e inadimplência,
e dinâmicas locais de atratividade”, afirma.
Apesar da concorrência com aplicações financeiras em um
ambiente de juros elevados, o mercado comercial mantém atratividade para
investidores pela combinação entre renda recorrente e preservação patrimonial,
segundo a economista.
Quanto subiram os preços de aluguel e venda de imóveis
comerciais?
Nos 12 meses até agosto de 2026, os preços de locação
comercial avançaram 11,21%, enquanto os valores de venda subiram 2,20%, segundo
o Índice FipeZAP Comercial.
Por que as empresas preferem alugar imóveis comerciais?
Juros elevados e crédito restrito levam empresas a preservar
caixa e direcionar parte da demanda da compra para o aluguel, afirma Mariangela
Silva, economista do Grupo OLX. A locação também exige menos recursos imediatos
e oferece maior flexibilidade operacional.
Quais cidades tiveram as maiores altas no aluguel
comercial?
Nos 12 meses até agosto de 2026, o Rio de Janeiro liderou a
alta dos aluguéis comerciais, com 20,97%, seguido por Salvador, com 19,84%,
segundo o Índice FipeZAP Comercial. Brasília registrou avanço de 12,24%, e
Curitiba, de 11,36%.
Qual cidade tem o aluguel comercial mais caro?
São Paulo tinha o aluguel comercial mais caro em agosto de
2026, com preço médio anunciado de R$ 62,34 por metro quadrado, segundo o
Índice FipeZAP Comercial. Rio de Janeiro e Salvador apareciam na sequência, com
R$ 57,51/m² e R$ 55,49/m², respectivamente.
Qual é o retorno médio do aluguel de imóveis comerciais?
O rental yield médio dos imóveis comerciais ficou em 7,63% ao ano em agosto, acima dos 6,14% ao ano do mercado residencial. Segundo Mariangela Silva, investidores também devem avaliar despesas de manutenção, tributação, vacância, inadimplência e condições locais de atratividade.
FONTE: https://exame.com/mercado-imobiliario/aluguel-comercial-sobe-1121-em-12-meses-e-supera-valorizacao-dos-imoveis/