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Bancos brasileiros são resistentes a estouro de bolha imobiliária, avalia BC

Com o crescimento do crédito habitacional no país e a supervalorização dos imóveis, o Banco Central (BC) resolveu testar se o sistema financeiro estaria seguro se estourasse uma bolha nos empréstimos da casa própria. Os técnicos concluíram que os bancos são resistentes a uma queda brusca dos preços dos imóveis. O relatório sobre a estabilidade do sistema financeiro foi divulgado na manhã da quinta-feira (20/03/2014), três meses antes da Copa do Mundo.

Segundo economistas que acompanham o mercado imobiliário, o evento esportivo poderá ser o ponto final da valorização exponencial da casa própria. A expectativa é que os preços dos imóveis devem cair após a competição. Nos Estados Unidos, a queda repentina dos valores (depois do estouro da crise do subprime) derrubou os preços das habitações e fez com que inúmeras famílias devolvessem suas casas aos bancos, o que debilitou todo o sistema financeiro.

— A preocupação com a Copa do Mundo é exacerbada. Não vejo nenhum sinal de ruptura nem de crédito e nem de preço dos imóveis — assegurou o diretor de Fiscalização do BC, Anthero Meirelles.

Para o BC, o sistema financeiro nacional estaria preparado para uma situação como a vista nos EUA. Segundo os cálculos da autarquia, o banco só ficaria desenquadrado das regras bancárias se os preços dos imóveis caíssem 45%. Já uma diminuição de 55% dos valores dos imóveis financiados por um banco, poderia levar uma instituição financeira à insolvência.

“Ambos os choques são maiores do que a queda acumulada ocorrida em um período de três anos, entre os valores máximo e mínimo dos imóveis residenciais nos Estados Unidos da América durante a recente crise do subprime, de 33%”, afirmou o BC. “Além disso, o SFN como um todo não ficaria desenquadrado mesmo em casos extremos de desvalorização”.

Segundo o BC, o crédito habitacional no Brasil é mais seguro por vários fatores. Não é permitido fazer mais de uma hipoteca no imóvel como ocorre nos Estados Unidos. Além disso, os financiamentos representam ainda um pequeno percentual em relação ao tamanho da economia.

No entanto, a maior segurança na hora de uma possível bolha é a exigência de uma entrada alta, geralmente, de 30% do valor do imóvel e também do sistema de pagamento. Como a maior parte dos empréstimos é feita na modalidade Sistema de Amortização Constante (SAC), os bancos têm os empréstimos amortizados logo nos primeiros anos.

— Com certeza não há bolha imobiliária no Brasil. Não tem nenhum elemento de bolha. Esse exercício é um pouco para mostrar que se houvesse uma hecatombe nos preços, as instituições estariam preparadas — garantiu Meirelles.

Ele lembrou que os preços dos imóveis diminuíram o ritmo de alta. Ressaltou que não acredita em uma queda acentuada do valor das casas no Brasil após da Copa. Frisou que a demanda aumentou recentemente na esteira do crescimento da renda, já que ter um imóvel é o “sonho de todas as famílias”. E ainda falou que não houve questionamentos de bancos ou outros interlocutores do BC para que a autarquia fizesse um estudo específico para esse tipo de empréstimos.

— A gente acompanha o debate e a gente acompanha a discussões. A gente precisa responder com dados completos e com simulações.

Segundo o estudo do Banco Central, o sistema bancário brasileiro é resistente. Nos testes de estresse, a autoridade monetária verificou que em nenhum dos cenários de inadimplência simulados, haveria insuficiência de capital no sistema para atender aos requisitos regulamentares.

— A principal mensagem é que diante desse cenário desafiador, o sistema brasileiro mantém-se sólido — garantiu o diretor de Fiscalização, Anthero Meirelles, ao ressaltar o ambiente internacional de menor liquidez por causa da retirada dos estímulos financeiros à economia americana.


Fonte: http://oglobo.com

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